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Encerro um ciclo. Não por causa do orgulho ou por incapacidade, mas porque simplesmente isto já não se encaixa na minha vida. Aprender envolve uma mudança na forma como penso sobre as coisas. A melhor forma de descobrir que tenho uma “mente” é tentar mudá-la muitas vezes, na tentativa de me tornar mais honesto comigo próprio. Se não procurar ser genuinamente honesto comigo próprio, não aprendo. Se me preocupar com aquilo que os outros pensam de mim, estarei a viver a versão deles da minha vida e não a minha vida.

O M.E.C. dizia: "Blogar é escrever num meio terrivelmente aberto - interactivo, instantâneo, espúrio - a partir de um momento terrivelmente particular - o eu, o ser, a alma. É um lindo fogo posto que salta entre a faísca da intimidade e o incêndio público de todas as coisas."

Depois deste Blog, jamais será possível voltar a ser tão “inocente” como era anteriormente. Será que a ficção poderá explicar aquilo que ainda não consegui perceber na vida real? A liberdade de escrever um blog não consistiu em seguir a minha vontade e por diversas vezes tive de me libertar dela.

O Paulo Coelho dizia: “Se a tua mente permanece inalterada, é porque estás a re-criar diariamente o mesmo mundo e os mesmos demónios.” Talvez um dia consiga aceitar que a vida não é uma ficção. Entretanto, afasto-me deste incêndio publico.

Um hábito não é uma necessidade. Com as trancas na porta, vou deixar de ser quem era, e tentar transformar-me no que sou ... com um “sorrio de orelha a orelha e do umbigo à sobrancelha”.

O Céu nunca será o meu limite. O Mar é uma bela estrada. O Vento é um bom motor.

Isto não é um fim, mas um recomeço diferente ...



Quinta do Bill - Voa

Contradições

Segundo o Carl Jung: "O homem que não atravessa o Inferno das suas paixões também não as supera". Está errado ... não está? "0 caminho é meio perdido, mas que perder seja o melhor destino." Está errado ... não está?






Jorge Palma - Passos em Volta

Esta é apenas mais uma história (como tantas outras) repleta de idiossincrasias românticas. Como tantas outras histórias, também esta, tem um começo, um desenvolvimento (duvidoso) e um fim incerto. Se tivesse uma banda sonora, poderia muito bem ser ESTA e nunca ESTA! Desta feita, o narrador opta (sem sucesso) por escrever na terceira pessoa, apenas para parecer mais “cutchi-cutchi” e para tentar acentuar um certo afastamento (impossível) da realidade. Ao relatar apenas o começo e o fim, o narrador acaba por poupar aos leitores, momentos de profundo enfadonho, omitindo os pormenores descritivos, resultante dum período de enorme “abichanamento” emocional.

“Ready, set, go!
Let´s do the facts!
Just before jumping to the ... not so painful conclusions!”

Mesmo que ele quisesse, nunca poderia voltar a atrás. O que lhe apetece partilhar neste momento, poderá ser aquilo que vos quiserdes entender. Para ele é (tão somente) um registo de uma, das relações humanas mais gratificantes que teve na sua imperfeita vida!

Como todas as histórias, também esta deveria ter um começo, um desenvolvimento e um fim, mas ... não tem! Trata-se duma trapalhada pegada! Se tivesse um desenvolvimento, o narrador teria de dissecar todas as situações que impeliram o protagonista deste enredo a querer emigrar. Teria também de explicar a razão pela qual ele comprou uma casa, para (talvez se houvesse uma hipótese mesmo que remota), um dia puder vir a compartilhar esse espaço com a outra personagem do enredo. Mas … não se explica nada disso, ok?

Claquete! Acção!

Ele arranjou um bilhete de avião em tempo recorde e acordou em Fortaleza (Brasil). Conheceu logo na primeira noite uma empresária que lhe queria alugar uma casa. Foi ver a casa e quase (quase) se envolveu com a empresária que detestava portugueses. Acabou por alugar um carro no dia aseguinte e optou por "embrenhar-se" no sertão nordestino, apenas para se envolver rapidamente num frenesim sexual com uma nordestina, que conhecera em carnavais passados. Este envolvimento ... quase que terminou NISTO, não fosse o facto de ele ter insistido em proteger-se convenienetemente, pois ela queria ... um filho dele!

Fugira do seu mundo e de “algo” que nunca saberá descrever ao certo. Talvez tenha passado por um novo distúrbio emocional profundo, agravado por uma grande dose de irracionalidade, alimentado por um desejo inexplicável, associado a um período muito “negro” de perda de capacidades físicas momentâneas, bem como o desmoronar duma grande paixão desportiva que esteve no centro da sua vida durante muitos anos.

Nada lhe corria bem. Estava profundamente perdido num constante turbilhão de emoções e farto dos intermináveis problemas de saúde. Só desejava fugir dele próprio e do mundo. Não se reconhecia, naquilo que se andava a tornar. Estava disposto a mergulhar num "mundo de trevas" para tentar descobrir quem era, donde vinha e para onde pretendia ir a seguir…

Iria viajar sozinho pelo Brasil durante um mês em busca de clarividência. Viajava duma forma muito “light” em todos os sentidos, menos no emocional. O que desejava naquele momento, era embrenhar-se na floresta amazónica e perder-se por lá com sucesso. Era um momento de “ou vai ou vacila ou racha”. Vacilar nunca foi o seu forte. Quanto a rachar, ele só se especializara em rachar os próprios ossos, do seu já remendado esqueleto. Foi e … chegou a Manaus (uma das portas de entrada para a Amazónia). No dia seguinte estava prestes a percorrer o rio amazonas e a caminho da floresta. Contratou os serviços duma empresa (bastante duvidosa) e mal sabia que estava prestes a entrar numa experiência que modificaria a sua forma de encarar o mundo … tal qual o concebia até então!

Viram o filme "Inception"? Viram o filme "Avatar"? O que se passou nestes filmes tem algumas semelhanças (com o antes e o durante), excluindo obviamente os tiros, os alienígenas e a falta de sentido das coisas ... :-D

Take 2! Acção!

Tinha de haver uma “ela”, certo? Lá estava “ela” e ele congelou na primeira troca de olhares com aquela loira minorca de 1.50m, que estava longe de perfazer o seu ideal da mulher ideal. Viu-a no meio de um grupo de Franceses e concluiu que estaria acompanhada do marido ou namorado.
Ele foi à sua vidinha! Enquanto esperava pelo barco que os levaria para a selva, aproveitou para ir comer uma papaia e sentir os cheiros intensos do porto de pesca em plena actividade. Lembrou-se que se esquecera (ou se borrifara) de tomar as vacinas contra as milhentas maleitas tropicais, abundantes num local daqueles. Aproveitou para tentar remediar os estragos da sua insensatez e foi comprar um repelente de insectos na única loja fétida e suja que existia por aquelas bandas.

Take 3! Acção!

Lá estava ela sozinha a pagar o mesmo tipo de repelente e com um sorriso do tamanho do mundo. Ele intrigou-se muito com aquele sorriso! Era um sorriso que aprendera (após ter perdido uma das suas sete vidas) a reconhecer. Um sorriso exibido por pessoas que passam por situações traumáticas e descobrem que estão profundamente: apaixonadas pelo facto de ainda existirem; apaixonadas pelas outras pessoas e apaixonadas pela natureza que as rodeia. Só quem ama a vida com intensidade e respeito, consegue ostentar aquele tipo de sorriso. Isso é intrigante para quem não está (a dado momento) totalmente satisfeito com a sua existência.


Take 4! Acção!

Ela, era muito delicada e falava "Franciu" com uma doçura muito peculiar! Ele fugiu dela a sete pés. Não lhe dirigia a palavra. Tinha medo. Deixou-a ficar “sogadita” com o seu grupo de amigos “francius” e isolou-se a contemplar a beleza da natureza que o rodeava. Uma natureza que tinha tanto de belo como de mortífero. Toda aquela grandeza natural era uma enorme metáfora apenas comparável com a própria vida!


Take 5! Acção!

Sempre que ele se isolava do grande grupo, reparava que ela também tinha tendência ao isolamento. Acabavam por se encontrar (ocasionalmente) nos lugares mais isolados do local. Ele, entretinha-se (deitado na rede) a contemplar a floresta e ela estava sempre por perto a fazia o mesmo. Ele, desconfiava que ela era muito diferente dos outros. Tinha aquele sorriso que revelava um prazer invulgar de poder estar naquele lugar. Não falavam, mas comunicavam demasiado!

Take 6! Acção!

No albergue, onde era suposto pernoitarem não existiam quartos individuais. Cada um tinha direito a uma cama, um lençol e uma rede mosquiteira. Ele estava deitado. Ela aproximou-se e apresentou-se de novo. Ela, perguntou-lhe se a cama do lado estava ocupada. Ele, respondeu que não e ela instalou-se! Ele saiu do dormitório e deixou-a durante alguns momentos de privacidade e aproveitou para fugir dela.

Take 7! Acção!

Ele nunca se sentiu propriamente integrado naquele grupo de turistas e preferia conversar com os pescadores e nativos. Interessava-se por aprender o seu modo de vida. Acabara o dia a nadar num rio infestado de piranhas e caimões. Voltara satisfeito para se deitar numa (das duas) redes que existiam no local. Contemplava o pôr do sol sobre o grande pulmão do mundo que é a floresta da amazónia. Adormeceu em paz na rede. Quando acordou, ela estava na rede do lado a brincar com um papagaio, ostentando aquele sorriso do tamanho do mundo e conversaram. Ele não se lembra da conversa que tiveram!

Take 8! Acção!

Estava ser um dia complicado para ele e complicou-se ainda mais quando se foi deitar e ela trocou de roupa (à sua frente) sem pudores. Ele conhecia as mulheres (em teoria e alguns casos práticos, vá... ;-D). Sabia interpretar alguns sinais, mas não lhe interessava (naquele momento) abrir as antenas (que estavam em estado de pousio) e procurar entender o que quer que fosse!

Take 9! Acção!

Na manhã seguinte separaram as pessoas em grupos, conforme os programas que cada um pretendia fazer durante a estadia na selva. Eram vinte pessoas e de todas as combinações possíveis, eles acabariam por ficar juntos.

Take 10! Acção!

Acompanhados por um guia, lá foram (um Brasileiro, um "Portuga", uma Suíça e uma Australiana) passar a noite ao relento na selva. O guia tinha um sentido de humor invulgar e só contava histórias que envolviam onças e cobras; o Brasileiro curtia drogas psicadélicas e ainda se encontrava (um tanto ou quanto) alucinado após ter experimentado a Ayahuasca; a Australiana estava a mudar radicalmente de vida e tinha feito um desvio a caminho de Londres onde iria trabalhar; A Suíça era uma incógnita; O "Portug"a era … era … nem sei ... se vos diga ... se vos conte!

Take 11! Acção!

Foram procurar lenha na floresta para fazer a comida. Ela montara a rede junto dele. Ele, sentia-se impelido a zelar pelo bem estar dela. Preocupava-se com os barulhos agressivos dos animais nocturnos, que circundavam as redes montadas no meio da floresta. Ele acordou várias vezes durante a longa noite, com os suspiros de susto dela. Ele estranhava a razão porque queria tanto proteger aquela desconhecida, preocupando-se mais com ela do que com ele próprio!

Take 12! Acção!

Ele acordou cedo e estava a chuviscar. Ficou sozinho a ouvir os barulhos da selva e da vida ruidosa que despertava. Um ruído "musical" inesquecível! Era agradável ouvir aqueles sons matinais, após as sensações de invulnerabilidade, sentidas durante a noite escura como o breu, no meio duma floresta demasiado activa durante a noite.

Take 13. Acção!

Ele não se lembra como foi, quando foi ou a que propósito, mas ... ela abriu-lhe a alma e ele mergulhou atrás. Sentiu-se muito próximo dela (demasiado próximo talvez). Descobriu que ela estava ali a fugir de algo (tal como ele). Descobriu que ela saíra dum situação ainda mais traumática (em termos de saúde), do que ele. Descobriu que ela tinha ido ao Brasil à procura dum ex-namorado e que estava desolada com o que encontrara.

Ele contou-lhe tanta coisa que ... perdeu o enorme fardo emocional que transportava consigo. Contou-lhe o seu frenesim sexual inesperado da semana anterior. Contou-lhe a sucessão de ilusões e acontecimentos que o levava a estar ali naquele momento, etc… Expôs-se duma forma inexplicável!

Take 14! Acção!

Este seria o último dia em que estaríamos juntos e tinha acabado de ganhar uma amiga.

Take 15! Acção!

Ele “atazanava” a cabeça ao pessoal do albergue, que lhe tinham alimentado a possibilidade (ainda que remota) de ir passar uns dias com uma tribo de índios. Durante o almoço de despedida compartilhou (com emoção) à sua nova amiga que estava na iminência de conseguir realizar o seu desejo. Ela disse-lhe imediatamente que também ia e que era para isso que ali estava.

Take 16! Açção!

Foram! Ficaram lá e voltaram modificados! Aprenderam a viver com e como os índios. Aprenderam a usar alguns dos recursos da floresta. Aprenderam a reconhecer uma infinidade de plantas medicinais. Foram convidados a ficar na tribo. Quase foram obrigados a casar, segundo os rituais da tribo (isso seria outra história para contar que envolve formigas ... :-D).


Take 123546455747! Acção!

O que se passou na selva e após o regresso ao mundo (dito) civilizado daria para escrever vários livros. Resumidamente: quiseram mudar “tudo” para continuar a “viajar” juntos, mas a realidade foi muito diferente …

Take 5335453123546455747! Acção!

Ele mudou o seu mundo, após ter conhecido este ser humano maravilhoso. A vida dele nunca mais poderá voltar a ser o que era, até porque se tornou muito melhor. Ela já não faz parte dos seus planos de vida e ele está feliz por saber que ela segue o seu caminho e está a lutar pelos seus sonhos.

Ele descobriu que tem um “anjo” da guarda que o acompanha à distância. Este amor foi ... breve. Transformou-se, adaptou-se e enriqueceu. Converteu-se numa amizade sólida para a vida.

Take 7876787855335453123546455747! Acção!

No fundo ele sabe que ... apenas se concretizou a primeira das duas premonições do "Pajé" da tribo, que disse: Vocês estão muito apaixonados mas não vão ficar juntos. Falta completar a segunda que apenas foi revelada a um dos interveniêntes...


Assim foi e actualmente, basta-lhe saber notícias (poucas) dela. É mais do que suficiente saber que está bem de saúde e feliz na "heidyland". Ele redescobriu o que já sabia mas esquecera: A vida tem muito mais sabor, sabendo que existe sempre a possibilidade de deslumbramento com as coisas mais simples. Acabou de saber que ela esteve em Madrid na semana passada e que desceu recentemente (em caiaque) uns rápidos na Costa Rica. Esse era um local onde ele queria ir. Ela adiantou-se e foi, após ter cancelado a sua ida à Ilha do Borneo.

E ... por incrível que pareça, ele está a planear, ir no final deste ano à Ilha do Borneo que é o local que ela gostaria de visitar! :-D

Take 7867389063890476734674568740687!

O narrador informa que este filme/texto/novela pirosa, contém muitas imprecisões e aproveita para transmitir que este não é um "filme" perfeito, completo e com um final previsível. Neste "filme" os intervenientes não acabam juntos para sempre! Neste "filme" existiram seres humanos que se cruzaram no caminho uns dos outros durante breves momentos. Cumpriram a sua função, aprenderam as suas lições e seguem os seus caminhos ... onde quer que esses caminhos os levem!

THE END ... is near (já dizia o outro)! ;-D

‎"Habemus" carta ...


‎"Habemus" carta de moto-vrummm-vrummmmm. Yaba-daba-doo! :-D


Let It Go - Tim McGraw


Avós com 25 anos de idade.


UNKLE - The Answer

Adeus Avôzinho!

Dores incapacitantes

"Há doentes internados em hospitais que têm mundos dentro de si para contar mas sem alguém que os oiça. São rotulados de doentes mentais e abandonados aos fármacos potentes ou aos irrevogáveis silêncios institucionais!"

Hoje, li esta frase e lembrei-me do meu amigo Zé Maria.

Acabado de ficar internado num quarto de hospital após um acidente, fui avisado da eventual chegada dum novo companheiro de quarto. Alertaram-me que teria de conviver com um possível doente mental, que estaria a ser mudado de outra enfermaria pois tornara-se absolutamente insuportável para os restantes doentes.

O Zé Maria tinha 88 anos e uma perna partida. Todos (incluindo a família) pensavam que ele sofria de algum tipo de doença mental. Passei noites terríveis na companhia do Zé Maria. A minha sanidade mental ficou abalada com a convivência. A pouca comunicação que conseguíamos ter, era ensombrada pelas noites de intensos monólogos e gritos a alta voz. A conversa do Zé Maria era sempre igual e apresentava sempre os mesmos três intervenientes. A voz dele mudava, consoante o interveniente que entrava em cena. Tudo era repetido numa espécie de “loop” continuo até á exaustão.

Num certo dia, assisti á mudança do penso do Zé Maria e fiquei enojado. Tinha uma infecção enorme, cheirava a carne putrefacta e os ossos estavam partidos e expostos. Perguntei aos enfermeiros se aquilo era normal, ao que eles responderam que não era, mas que a amputação seria o desfecho mais provável.

Não conseguia parar de Imaginar as dores a que estaria sujeito o pobre do Zé Maria. Tentei saber o que se tinha passado com ele. Os familiares contaram-me, que ele tinha caído no lar (onde estava alojado) e partira a perna. Estava ali á espera que algum médico se interessasse pelo seu caso e o operasse.

Nessa noite não consegui dormir a pensar na minha dor pós-operatória e no quanto ela seria insignificante, quando comparada com o pesadelo constante daquele homem.

Passei a noite a pedir analgésicos e comprimidos para dormir para ele. Finalmente conseguimos (ambos) dormir ao terceiro dia. Na manhã seguinte descobri um novo Zé Maria. Aquilo que parecia demência, tornou-se claro (para mim) que poderia ser causado por uma dor inexplicável e incapacitante que despertava os seus fantasmas.

Nas noites seguintes, voltei a pedir que lhe dessem os analgésicos e comprimidos para dormir. Ao longo dos dias seguintes, o Zé Maria começou a ter momentos de extrema lucidez, onde me contou algumas histórias acerca da sua vida, mas eram as noites que despertavam os fantasmas.

Sempre que lhe perguntava acerca das dores, a resposta era sempre a mesma: As dores são minhas!

Nunca o vi queixar-se a ninguém das suas dores e fui-me apercebendo que os seus diálogos solitários eram também a sua forma de extravasar a dor.

Numa certa noite, entendi algo que não era perceptível a ninguém! Tentei perceber a conversa do Zé Maria e foi-se tornando claro, que “aquilo” era a descrição pormenorizada e detalhada do seu acidente, que estava demasiado vivo na sua memória. O Zé Maria vivia preso na sua dor e era perseguido pela lembrança do sucedido. Consegui que os enfermeiros percebessem o que se passava e se interessassem pela situação do Zé Maria.

Dias mais tarde ele foi levado para ser operado. Calculei que lhe iriam amputar a perna ou que dificilmente resistiria á cirurgia. Perdi o rasto do Zé Maria por uns dias, pois tive alta hospitalar nesse mesmo dia. Três dias depois, voltei ao hospital para tratamentos e fui procurar o meu amigo Zé Maria.

Esperava encontrar um farrapo humano com um membro amputado. Encontrei um homem idoso, desperto, a comer com gosto e a sorrir sem dentes. Ele perguntou-me se eu estava melhor? Sorri e respondi afirmativamente.

Perguntei-lhe se tinha dores e a resposta era a de sempre, só que desta vez esboçava um sorriso enorme. Os enfermeiros disseram-me que médicos salvaram-lhe a perna e ele iria recuperar totalmente e voltar a andar.

"Há doentes internados em hospitais que têm mundos dentro de si para contar mas sem alguém que os oiça. São rotulados de doentes mentais e abandonados aos fármacos potentes ou aos irrevogáveis silêncios institucionais!"

Om Shanti

Existiu uma miúda do deserto que, além de voar, escrevia silêncios, noites, anotava o inexpressável, fixava vertigens. Tudo isto acontecia num local onde era proibida a entrada a quem não andasse espantado por existir.

aqui

I only have three words for you ...


Make it Happen.

A Alegria de Viver Perigosamente

É um jogo, mas só os jogadores sabem o que é a vida.

R.I.P. meu amigo

Acabei de descobrir que sou contra a eutanásia não consentida! O meu fiel amigo foi operado ontem à noite e luta pela vida. Mesmo estando num estado terminal, não consigo sequer equacionar a sugestão do veterinário de poder vir a ser o responsável por tirar a vida do meu cão! Não! Não! Não!

Neste momento penso também nos meus queridos avós que vivem internados (com a doença de Alzheimer na fase mais avançada) à varios anos. Tenho a certeza que a alma de ambos está lá (viva) independenetemente de tudo o resto!



Acredito profundamente nesta mensagem que li: "Never abandon a loved one who can no longer be themselves. Their heart and soul are still very much alive. You can reach them if you allow your heart to do the talking."

Acabei de receber (enquanto escrevia e por não poder estar fisicamente com o meu cão) uma chamada telefónica a comunicar que o Kid acabou de morrer!

Podia apagar esta mensagem, mas a vida e a morte são ... assim...

R.I.P. meu querido e fiel amigo Billy the Kid!


“A Waterman is someone who truly understands the ocean - a person that can adapt to the conditions that the ocean provides.”

Venha outro tracadinho ...

Parte daquilo em que nos tornamos, tem a ver com os ambientes que frequentamos.

No tempo dos dinossauros (com dentes), frequentei este magnifico estabelecimento comercial e aprendi bastantes coisas acerca da escola da vida.

Coisas essas … tão ou mais úteis do que aquelas que aprendi no lado oposto da rua, onde estava matriculado no Curso Superior de Gestão e Organização Turística.

Obtive dois canudos no ISLA, mesmo passando 75% do meu tempo (útil ou inútil) em estágio (quase que permanente) na Sala 96 e/ou Tasca do Sr. Américo.

Recordo com saudade, uma das tascas mais típicas de Lisboa (com direito a constar no Facebook) e que infelizmente encerrou as portas à alguns anos atrás.

http://tunilingus.no.sapo.pt/Sala%2096.mp3

Letra da Música da Tunilingus

Andávamos embalados

Com a loucura do vinho

Távamos todos tocados

Venha outro traçadinho

Marradinha é cá da casa

É a nossa companheira

Aos penalties vamos juntos

Em tardes de bebedeira



Refrão:

Na sala 96

O estudo não parava

A grande dúvida era

Se o vinho ainda chegava

Melhor coisa não existe

Que no Américo estar

São momentos bem passados

Para mais tarde recordar

Com o lápis na orelha

E seu cabelo grisalho

O canivete do queijo

E o belo vinho a retalho

É o Américo quem mais

Só ele nos dá abrigo

Na tasca sempre terás

Sempre terás um amigo.

Desequilibrado (á força toda).

Li algo em dois Blogs (que não vou referir o nome) e bateu-me (mais ou menos) com alguma intensidade (abrutalhada ... vá) !!!!!!


"… tem dias em que é insuportável. Na vida há quem tenha ... sonhos e há quem compre casas e plasmas para todas as divisões da casa ... E depois na vida também há quem se vá embora sem olhar para trás e sem ligar patavina a casas e plasmas em todas as divisões da casa. Na vida há de tudo ..."

Sempre joguei na segunda "equipa" da vida e agora assinei contrato com uma nova "equipa" e isso anda a causar-me um enorme desequilíbrio.


"Buda explicava sobre a vida - a vida de todos nós - usando o exemplo da carroça com um eixo desalinhado. Ele dizia que as nossas vidas estão fora de equilíbrio. E é esse desequilíbrio que leva ao sofrimento. Ele nunca disse que a vida é sofrimento. Este é um ponto muito importante. Que as nossas vidas estão fora de equilíbrio, e essa é uma grande verdade.

Esse desequilíbrio faz com que nunca estejamos no momento e, não estando no momento, isso leva ao sofrimento. É muito simples.

No tempo do Buda, a palavra nirvana significava simplesmente apagar. Quando se apaga uma chama duma vela ou duma lâmpada de óleo, diz-se que a chama ficou livre. Quando se acende uma vela, captura-se a chama, como se a colocasse numa gaiola.

Na nossa ideia de apagar uma vela, dizemos “extinguir” ou “matar”; mas, na época do Buda, apagar uma chama significava tão simplesmente libertá-la.

Então, o Buda nunca disse “algo” como matar os desejos; ele falava da libertação ou liberdade do apego ao “eu quero” ou “eu não quero”. Quando se consegue abandonar isto, então a vida entra novamente num equilíbrio. Aí, então, ficamos completamente livres."


Este é um ensinamento bastante prático e que me esforço por relembrar, mas é demasiado complicado de conseguir manter (constante) na "vida".

Caí do céu e estou vivo


Quantas pessoas caem do céu e sobrevivem??? Poucas. Muito poucas!

Quantas pessoas caem do céu mais do que uma vez e sobrevivem??? Poucas. Muito menos do que as primeiras!

Só posso estar a viver uma felicidade enorme por recordar que caí do céu à exactamente um ano atrás e a sentir-me muito mais vivo!

De repente a vida deu-me um abanão e lembrou-me que o amanhã não era certo e que só tinha uma vida para viver. A vida deu voltas e não avisou com antecedência. Estou cá e amanhã estive.
Ainda tenho muito presente a real possibilidade amputação do membro; as cirurgias; os ferros espetados no cotovelo; a enorme hipótese de vir a perder a mobilidade parcial do cotovelo, "and soyon" ... "and soyon".

O que é certo é que … Nunca duvidei da recuperação e continuo a consegui-la. Ainda ontem fiz novos progressos numa sessão de fisioterapia!

Houve uma música que sempre me acompanhou durante o tempo que estive hospitalizado e durante os longos meses de imobilização forçada e que aproveito para recordar ...






No doubts...gonna rise up...no matter what...

Such is the way of the world
You can never know
Just where to put all your faith
And how will it grow

Gonna rise up
Burning back holes in dark memories
Gonna rise up
Turning mistakes into gold

Such is the passage of time
Too fast to fold
And suddenly swallowed by signs
Low and behold

Gonna rise up
Find my direction magnetically
Gonna rise up












Eddie Vedder - Rise





A vida é o pouco que nos sobra da morte ...



Digitalizei esta imagem do meu primeiro patrocínio em 1996. Na altura era praticante de Patins em Linha (in-line) e rendeu-me um Swatch novinho, um almoço à "borlix" e o direito a uma sessão fotográfica para aparecer (de cabeça para baixo) na publicidade da Swatch a fazer o pino num “half-pipe”. :-D

A carreira pioneira e auspiciosa no In-line nacional, foi encerrada após uma queda dum half-pipe com a fractura de duas costelas, imediatamente seguida por um salto por cima dum contentor do lixo (dos grandes e verdinhos), com a consequente rotura do menisco.
A minha "QUEDA" para os desportos de risco acrescido é mesmo uma longa história! :0)

Envolvi-me num acidente com contornos macabros.

Umas obras com estreitamento, de duas faixas para apenas uma. A confluência dos carros ia-se fazendo alternadamente. Quando chega a minha vez, deixo passar o carro da direita e começo a encostar para entrar em seguida. O carro da direita força a entrada. Não deixo e sigo! O carro vai para berma, coloca-se ao lado a apitar. Ignoro e acelero! O carro volta a colocar-se ao lado e a tentar apertar até que ... bate no meu espelho retrovisor, no exacto momento em que acelero. Quando vi que o tipo estava exaltado e coladinho ao meu pára-choques traseiro, travei a fundo de forma a que ele me batesse (ao de leve).

"Portantes" .... em breves segundos de "paragem cerebral" estava metido numa bela embrulhada!

O tipo saiu do carro e desatou aos muros ao próprio carro. Afastei-me da "fera" e chamei a polícia! Não estava propriamente com vontade de pôr em prática aquilo que aprendi no "Kick Boxing", nem queria aplicar as minhas técnicas de "Krav Maga". Por outro lado, tinha a certeza que ele seria dado como culpado, pois não respeitou a margem de segurança ao bater-me por trás.

Os estragos do meu automóvel resumiam-se apenas a uns riscos e o dele tinha o pára-choques amolgado! Meti-me no carro e esperei a polícia, que acabou por demorar 5 horas a chegar a um acidente que aconteceu às 5 da tarde, num local de transito bastante intenso!

Tinha que me entreter com alguma coisa e ao fim das primeiras duas horas, decidi brincar com a situação. Passei a telefonar com regularidade para a esquadra da polícia a perguntar coisas importantes (ou talvez não).

-Boa tarde Sr. Agente aceita pedidos de comida take-away? É que me dava jeito comer qualquer coisa, pois estou desde as 17.00h (são 21.00h) à espera das nossas fantásticas Forças de Segurança Pública. Será que eles andam atarefados a combater o ”mal supremo” noutro lado qualquer? Tem o número do Super Homem ou do "Spider Man"?

-Olá agente “Xpto” sinto-me sozinho e abandonado, à espera dos seus coleguinhas que nunca mais chegam e tenho muito medo do escuro. Preciso de ouvir uma voz amiga!

-Olá agente “Xpto”, existe livro de reclamações na vossa esquadra? Queria reclamar contra alguma coisa imporatnte para ajudar a passar o tempo …

-Olá agente “Xpto” era só para lhe desejar uma “santa noite”. É que cada vez que passa a um camião TIR a rasar o meu carro, sem me “matar”, sinto a minha fé a aumentar!

-Olá agente “Xpto 2” (tinha mudado de turno e não sabia da ocorrência). Perguntou-me se existem feridos? Sim! Estou ferido no "ego", com dores nos “costados” e no “rabo”… de estar sentado à tantas horas à espera da polícia! Será que você conhece o agente "Xpto" que é um grande amigo meu? Ahhhhhh pois conhece e ... ele já foi fazer o "ó-ó" presumo eu? Então mande-lhe cumprimentos meus e transmita-lhe que continuo à espera dos nossos amigos … aqui no meu acidente … vai para mais de 4 horas.

-Olá agente “Xpto 2”. Como é que eu faço para arranjar um emprego como o seu? Mando o currículo ou basta-me ser totalmente incompetente? Eu faço-o rir? Ainda bem que alguém se diverte! Os “meios” foram accionados? Com tanto "accionamento" já se devem ter cansado e foram fazer o "ó-ó" como o agente "Xpto"!

E fico-me por aqui … porque foram momentos inesquecíveis, partilhados com os agentes da autoridade.


Ao fim de 5 horas, três sestas e uma barra energética no bucho, apareceram (finalmente) os dois simpáticos (mas ao contrário) agentes da autoridade!


-Senhores agentes ... nós não nos entendemos e queremos que os senhores agentes ajudem a resolver este problema.

-Hummm... Se o senhor agente nos vai multar e tirar a carta de condução a ambos (coima de 120 Euros com inibição de condução, por não respeitarmos as margens de segurança) ... vai acabar por criar dois problemas? Se calhar o senhor agente é mais um empata do que outra coisa qualquer? Vá lá à sua vidinha que eu preciso da minha carta e aquele senhor também!

Ao fim de 5 horas fomos para um café preencher a declaração amigável (que era o que deveríamos ter feito inicialmente, caso não fossemos “tansos”!).

-Vamos lá preencher a declaração! Então você não tem o impresso? Eu também não! Vamos trocar os dados e amanhã preenchemos isso? O quê? Você tem a carta de condução apreendida e anda conduzir um carro de serviço? A sua empresa não sabe disso e vai perder o emprego depois disto? Está arrependido da "trampa" que fez e ficou 5 horas fechado dentro do carro, a pensar numa saida para esta embrulhada? Estava com a cabeça lixada com as milhentas horas que a sua empresa o obriga a estar em engarrafamentos, devido a natureza do se trabalho estupidificante e mal pago? Etc... Etc... Etc...



Resumindo: Perdoei-lhe tudo, paguei o café e ainda nos divertimos com os relatos das conversas com a “bofia”!

Nota final: Se me assaltarem ... fiquem cientes que sou bem capaz de oferecer orgãos para transplante, caso necessitem! :-D


Copyright 2008 | Paulo Reis